18.7.14

Viva o Povo Brasileiro

Duas madrugadas atrás a minha perna esquerda acordou-me: doía, doía muito. Tomei analgésicos mas a dor não passava. Lembrei-me da morte de Guimarães Rosa contada por Nelson Rodrigues. Talvez fosse um bocadinho treta (Rodrigues inventava), mas era uma história simples, plausível. O grande homem telefonara à mulher, ou talvez fosse uma amiga, não me lembro, dizendo de uma dor no braço que “não era normal”. Pediu-lhe ajuda. Depois, socorro. Estava nisto e morreu. Também eu me via já morto, sendo a dor na perna o indubitável sinal. Agradeci; esperei: não morri. O erro foi talvez o ter-me alcandorado a termo de comparação com Guimarães Rosa. Não voltei a pegar no sono. De manhã li as notícias sobre os arrufos na Esquerda e achei que talvez fosse disso porque a perna que me doía era a esquerda. Que foi? Tem uma explicação melhor?
Agora leio a morte de João Ubaldo Ribeiro. Leio, leio e não entendo como apenas me doeu uma perna e não me doeram as mãos, os olhos, enfim, o corpo inteiro.

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